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História

 

Para chegar ao ponto em que estão hoje, os adubos venceram muitas barreiras. Sua vinda ao País ocorreu na hora errada, por volta de 1895, na região de Campinas, onde os agricultores ganhavam rios de dinheiro com o café. Terras de alta fertilidade, grandes safras, exportação a rodo. Como então convencê-los a usar e pagar por um produto de que aparentemente não precisavam?

As melhores palavras sobre o assunto foram de Franz Dafert, diretor da Imperial Estação Agronômica de Campinas, atual Instituto Agronômico (IAC), ditas em 1889:

“Uma das grandes dificuldades com que lutamos foi a completa indiferença dos agricultores para com a instituição. A agricultura merece atenção, ainda que a maior parte dos agricultores sejam rotineiros demais para poderem compreender bem a necessidade de uma orientação científica”.

Em 1892, quando Daffert procurava um cafezal para pesquisar substâncias minerais, dos trezentos fazendeiros da região só um, o barão Geraldo de Resende, lhe deu apoio.

Na década de 1960, a situação mostrava mínimos progressos. Apenas 30% das áreas cultivadas usavam adubação. A média não passava de 18 quilos por hectare. Foi então que catorze empresas se juntaram para criar e sustentar financeiramente a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). As empresas eram a Benzenex, CBA, Copas, Copebrás, Fertibrás, Granubrás, IAP, Itaú, Manah, Murakami, uimbrasil, Takenaka, Ultrafértil e Zanaga.

CRIAÇÃO DA ANDA

Fundada em 13 de abril de 1967, no Nacional Clube, no bairro do Pacaembu em São Paulo, a Anda tinha a missão específica de convencer os agricultores do custo-benefício dos fertilizantes. Uma ação pioneira de marketing institucional na agricultura.

Imediatamente após a fundação, a Anda promoveu mais de vinte reuniões para mostrar a razão de sua existência nas capitais e cidades interioranas de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Rumo ao Brasil Central

Em 1969, a Anda teve outro ambicioso projeto: a instalação de quinhentos campos de demonstração de resultados dos adubos em lavouras de arroz, milho, feijão e algodão no sul de Goiás, no Triângulo Mineiro e no sul de Minas. O projeto estendeu-se a Mato Grosso. Em 1975, havia 3 mil ensaios e campos de demonstração.
A inspiradora e parceira do projeto foi a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que há seis anos comandava o mesmo tipo de ação em 17 países. Isso resultou em 45 mil demonstrações para cerca de 1 milhão de agricultores, como um projeto da Campanha Mundial Contra a Fome. Outra participante do programa foi a Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (Abcar), entidade responsável pela extensão rural em todo o País. A Anda entrava com os adubos, fornecidos pelas empresas filiadas, e o grupo CBA/Itaú com o calcário.

Dias de campo

O ponto alto do eram os dias de campo. Um deles, realizado em abril de 1972, na Fazenda Boa Vista, Pouso Alegre, sul de Minas, reuniu 240 agricultores de todos os municípios vizinhos. Doze agrônomos da FAO/Anda/Abcar reuniam os visitantes em grupos de vinte para conhecer os experimentos com exposição sobre sementes selecionadas e tratores. O grupo checava in loco as diferenças de rendimento entre as áreas adubadas e não adubadas e aprendeu a fazer cálculos do custo-benefício da adubação ("de cada 1 cruzeiro gasto em adubos resultou um lucro de 2 cruzeiros").

Orientações sobre controle de pragas, épocas de plantio e tratos culturais completaram a agenda do dia. Houve ainda uma palestra sobre novas técnicas de adubação em Israel, dada pelo agrônomo Pedro Dessimoni, que viajara a esse país por indicação da Anda. Os dias de campo de 1972 em Minas Gerais reuniram 4 mil agricultores.

Em 1972, os trabalhos realizados pela Anda chegavam aos estados do Nordeste, da Bahia ao Maranhão, tendo em vista:

- O baixo consumo de fertilizantes, restrito à cana-de-açúcar em Pernambuco, e ao fumo, em Alagoas;

- A criação pelo governo federal do Instituto Nacional de Fomento ao Algodão e Oleaginosas (Infaol), com recursos à disposição dos agricultores para melhorar a produtividade das lavouras.

Na época, a Anda instalou trezentos ensaios de adubação e 1.500 campos de demonstração no algodão, milho, mandioca, abacaxi, arroz e feijão.

Na reunião de Roma de 1972, a FAO adiantava que, "dentre os países onde o Programa de Fertilizantes apresenta resultados técnicos positivos e onde existe bom aproveitamento desses resultados, figuram o Brasil, o Quênia, a Argélia e a Indonésia".

A Anda atuou também no Paraná (milho e algodão), no Rio Grande do Sul (milho, soja, trigo, arroz), no Espírito Santo (batatinha), nos cerrados, com o apoio do Ibec Research Institute (IRI), e nas pastagens da Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná, em 1976.

Em 1977, por solicitação do Banco do Nordeste, o programa foi prorrogado no nordeste por três anos. Mais seis produtos foram incorporados: cana-de-açúcar, soja, citros, mamona, cebola e sorgo.

Coordenado pelo escritório regional da Anda no Nordeste, em Recife, comandado primeiro por Marcos Rocha e depois por Hermano Gargantini, chefe da seção Fertilidade do Solo do Instituto Agronômico de Campinas, o trabalho mobilizou o Ministério da Agricultura, secretarias estaduais, universidades e órgãos de pesquisa e extensão. Os ensaios de adubação subiram para 750, os campos demonstrativos para 3.500 e os estados alcançados pelo programa para nove. Nos seis anos em que ficou no Nordeste esse projeto atingiu 347 municípios.

Não existe registro do número de fazendeiros presentes nos dias de campo realizados pela Anda de 1969 a 1978 em quinze estados brasileiros. Se os eventos reuniam cerca de 9 mil agricultores por ano, o total de participantes chegou a 90 mil no período. Os ensaios de adubação promovidos no mesmo período chegaram a 8 mil. Como dizia a escritora Rachel de Queiroz, em termos de previsões, a preferência é a do cajueiro: quantos frutos tiver, quantas castanhas terá!

Com todo esse esforço, não haveria como os fertilizantes não pegarem no Brasil. Ao completar quarenta anos de existência e após dar cabo com absoluta eficiência da tarefa motivadora de sua fundação, a Anda participa em outras frentes de trabalho. Passam os tempos e a entidade continua a cara da indústria brasileira de fertilizantes.

As cores oficiais dos fertilizantes

Editado pela Anda em 1971, o Manual de Adubação tornou-se um clássico da literatura da área. A primeira edição rodou 9 mil exemplares. Com o sucesso da obra lançou-se uma segunda versão em 1975, supervisionada pelos agrônomos Eurípedes Malavolta e José Peres Romero. Todas esgotadas.

A capa da 1ª edição mostra um típico campo de ensaio de adubação da Anda, de milho, dividido em oito parcelas (foto de Marcos Rocha). A capa da 2ª edição apresenta grãos de adubo em suas cores oficiais: nitrogênio (azul), fósforo (vermelho) e potássio (verde). Publicado há 20 anos, o Anuário Estatístico é outro best-seller da Anda.

Na linha de que a comunicação é antes de tudo um instrumento de conquista, a Anda editou livros, folhetos, boletins entre outra publicações. Veículos para fazer a cabeça dos produtores nos tempos em que os adubos careciam de uma divulgação mais precisa. Comportava-se como se fosse uma editora voltada à adubação.

Além de editar a newsletter mensal Solos & Adubos, a Anda lançou as publicações Trinta Anos da Indústria de Adubos; Adubar, Adubar, Adubar; Modalidades do Crédito Rural; Algodão Adubado Produz Mais; Práticas de Adubação e Funcionamento do Funfertil (15 mil exemplares); Adubação dos Bananais, Manual do Controle da Qualidade dos Fertilizantes; Encha o Paiol de Milho e Aumente seus Lucros; Manual do Crédito Rural, Adubo Ajuda o Café a Produzir Mais. Em 1970, o Correio Agropecuário chegou a rodar 160 mil exemplares em duas edições mensais da coluna Solos & Adubos

Em 2004 lançou o livro Sistema Plantio Direto: Bases para o Manejo da Fertilidade do Solo, de autoria de Alfredo Scheid Lopes, Sírio Wietholer, Luiz Roberto Guimarães Guilherme e Carlos Alberto Silva.

Desde 1986, a Anda edita o Anuário Estatístico, o mais completo e respeitado banco de dados dos fertilizantes do Brasil. Uma fonte oficial de pesquisa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e das Comissões de Agricultura do Senado e da Câmara Federal. Segundo a International Fertilizer Industry Association (IFA), só nos Estados Unidos e no Japão existem trabalhos similares aos realizados pela Anda na área da estatística dos adubos.

Resenha do livro Raízes da Fertilidade, de João Castanho Dias.



 

 
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